Gus-gus






Manas, Maiorca, 2002




Para a Sofia e para a Quica, as melhores irmãs do universo e do reino da salsa que me ensinaram a ser feliz. Um dia destes vamos no carro voador da manó até ao telhado dos vizinhos dos avós, fazemos lá a nossa casa e comemos os rissois que fritam com a luz do sol. Para nos divertirmos fingimos que estamos num barco e que não podemos tocar no mar, que temos uma empresa multi-funções que tem danças foleiras de introduçao , Inventamos peças e representamo-las para as fadas dos dentes, o coelinho da pascoa que deixa os ovos no quintal e o seu ajudante gorducho, fazemos trancinhas á sofia e pedimos a quica para chegar a wua, porque a lua fica longe. Dormem na minha barriga e rimo-nos com o chimpazé que vemos nas estrelas. Um dia destes agradeço-vos por serem as minhas princesas Franssorri e comemos os ferrerro rochês da avó sem que ela veja. Um dia destes, por agora limitemo-nos a brincar como dantes.

Singapura

Quando percebo que chegou ao fim não tenho muito a dizer. E quando não há nada a dizer é porque realmente chegou ao fim. Obrigada por toda a inspiração, Rita. 21:53

Ao João Frederico

De todos os dias hoje deve ser o em que menos me apetece escrever para ti. Por isso faz sentido faze-lo. Tinha uma cena bonita, tudo muito bem escrito e muito dedicado mas hoje nao me apetece. Nem ser dedicada nem atenciosa. Não de todo. Apesar do bacano que assumes és chato, tens a mania e tens um feitio de merda. No entanto ou por isso mesmo gosto muito de ti. Gosto principalmente na pessoa que te tornaste para mim. No amigo que tens sido e nos conselhos e filosofias de vida que partilhamos. No fundo, tenho tido a sensação que apesar de todos os detalhes somos dos poucos que partilhamos alguma coisa menos superficial, menos sem conteúdo. Para além disso tudo, de gostar muito de ti e sermos muito amiguinhos e de todos os bla bla blas consequentes, admiro-te. Por duas coisas. Pela tua franqueza, que hoje em dia é raro encontrar alguem com lata para ser sincero, e por me teres surpreendido por seres uma pessoa tão grande ou lhe dares muito bem o jeito.
Um dia, daqui a pouco tempo vamos partir, eu, tu e a magalhães e possivelmente o emplastro do antónio com a ideia de encontrarmos as famosas pernas de frango, vista para a starbucks, fox a tarde toda, a broadway e a marc jacobs, urnas para o obama, negócios de atum, a nossa sala de jantar e setecentas coisas que (apesar de não me ter apetecido escrever para ti no inicio) tenho a certeza não querer partilhar com mais ninguém.

Quanto ao mini frigorifico mágico, é uma prova de benovolência pela tua pessoa. Até amanhã.

RIA

Ria, sorria e respire. Sorri e respira. Para a Hebe e para a Inês. Hoje não preciso de outros nomes. Não preciso de outros tempos nem de outros espaços. Hoje não tenho dúvidas que amanhã vou continuar sem precisar de nenhuma outra coisa. Em relação ás presenças, há dias em que fazem menos falta. mini mini, para quê, já sabem. Muito obrigada

Ao meu amor.

Até tem passado depressa. Os dias. Eu continuo aqui á tua espera. Tenho sido feliz. Sou boa nisso das felicidades ao contrário de ti. Quanto ao amor, tem-me batido á porta de vez em quando, quando tropeça no tapete da entrada. É claro que eu não abro, limito-me a espreitar e a esboçar-lhe um sorriso. Ás vezes quando estou de bom humor mando-o sentar-se na cadeirinha do hall e sirvo-lhe um café. Ele sabe que estou á tua espera por isso não faz muita questão para ficar. Um dia destes convido-o a entrar, a escolher o seu espaço, ponho-o á vontade e deixo de esperar por ti. Sabes que isto de esperar ás vezes cansa. Mas eu continuo aqui pelo menos enquanto escrever para ti. Queria dizer-te que hoje me lembrei da tua voz, lembrei-me do que me disseste da última vez que me viste. Que tenho saudades tuas. Queria dizer-te. Queria escrever-te.



Acho que me vou deixar disto. Gosto muito de ti, Rita

Próxima paragem

"The new jesus is a chinese boy".

Jogos de encaixe

Definição: A tua interpretação pessoal.

Vou deixar-me de jogos. Ou melhor de associações pessoais ou piscares de olhos ou sorrisos cumplices. Vou deixar isso para quem não tem encaixe. Para quem goste do tetris, puro e duro com detalhes. Vou dedicar-me ao real e deixar a acção e dedicar-me á prática. Quando relacionar pickles e rãs vou saber porque o faço. Quando me deitares abaixo seja pelo teu capital social ou pelo teu outro nível vou limitar-me a disfrutar do chão. Em casa, na rua ou no palco. O chão de certeza que serve para alguma coisa para alem de apoiar os pés. Se pensares bem já quase não há chão. Quer dizer eu tenho o meu chão. O meu chão tenho um fio pregado que me prende á terra. Esse fio é lilás. Eu não gosto de lilás mas gosto do fio. No fundo, no fundo há cada vez menos chão. As pessoas tem cada vez mais de ter os pés mais assentes, para não cairem com tanta facilidade. Porque para elas tombar dói e é mau. Não é que para mim não seja. Eu não gosto, gosto mais de pickes e de donuts. E gosto da tininha que é a rã do António. Ainda não a vi mas eu sei que gosto dela e que vou gostar. Quanto ao chão, esse já quase não existe. Não porque o tenham esquecido mas porque gosto demasiado dele. Não para os apanhar quando caiem mas para os impedirem de cair. Ah tanta coisa só para te dizer que há espaço cá em cima na estratoesfera que é a minha casa, ao pé de marte que é o máximo até onde o fio lilas me deixa ir mas se quiseres eu tenho outro no bolso e posso ata-los. Assim vamos mais longe e acabas por deixar mais espaço para quem se gosta de encaixar. Do encaixe, não dos jogos como nós.