As crónicas do senhor ananás

Querido 12 de Dezembro de 2009, eu escrevo ao tempo, para dar lugar ao espaço e ao sentido.


Uma questão de alma.
Sentes? Posso acampar na tua liberdade? Por uns escassos segundinhos do teu eterno tempo? Sentes? A minha escrita, a minha voz por trás dela? O meu mais secreto titubear?
O meu olhar , a minha forma preguiçosa e palerma de caminhar? Sentes o sorriso escondido do meu rosto e toda a força que perdi no seu sentido? Sentes-me?
Sinto, eu sinto. Eu sinto toda a tua alma. Afinal tudo é uma questão de alma.

Sempre tua, senhor ananás.

Não gosto de smiles.

Acho que a blogosfera tá na moda. Não sei é um palpite. Prefiro esta a outras modas, pelo ao menos é recheada, vem com texto ou com contexto depende do patrão da coisa. O problema tá na lata. Já não há lata, tudo o que não se diz, escreve-se e pronto tá resolvido. Um dia destes não se fala, dá trabalho, afinal falar dá trabalho, não há nada a dizer-se só a escrever-se pelo que parece. Não critico a evolução das coisas acho que é giro, faz parte, é mais barato, (pelo menos os custos de deslocação, consumo e engate são facilitados com a escrita, deixam de existir, aparecem coisas mais á conta e a medida coisas mais facilitadas e por ai). Critico não se falar sobre isso, sabes? Critico estar a escrever sobre isso. Mas pronto a todos os utilizadores natos quase blogodependentes deixo então, depois do discurso menos politicamente correcto, o meu obrigada por pelo menos quando escrevem, escreverem com causa e conteúdo. Boa noite.

Gus-gus






Manas, Maiorca, 2002




Para a Sofia e para a Quica, as melhores irmãs do universo e do reino da salsa que me ensinaram a ser feliz. Um dia destes vamos no carro voador da manó até ao telhado dos vizinhos dos avós, fazemos lá a nossa casa e comemos os rissois que fritam com a luz do sol. Para nos divertirmos fingimos que estamos num barco e que não podemos tocar no mar, que temos uma empresa multi-funções que tem danças foleiras de introduçao , Inventamos peças e representamo-las para as fadas dos dentes, o coelinho da pascoa que deixa os ovos no quintal e o seu ajudante gorducho, fazemos trancinhas á sofia e pedimos a quica para chegar a wua, porque a lua fica longe. Dormem na minha barriga e rimo-nos com o chimpazé que vemos nas estrelas. Um dia destes agradeço-vos por serem as minhas princesas Franssorri e comemos os ferrerro rochês da avó sem que ela veja. Um dia destes, por agora limitemo-nos a brincar como dantes.

Singapura

Quando percebo que chegou ao fim não tenho muito a dizer. E quando não há nada a dizer é porque realmente chegou ao fim. Obrigada por toda a inspiração, Rita. 21:53

Ao João Frederico

De todos os dias hoje deve ser o em que menos me apetece escrever para ti. Por isso faz sentido faze-lo. Tinha uma cena bonita, tudo muito bem escrito e muito dedicado mas hoje nao me apetece. Nem ser dedicada nem atenciosa. Não de todo. Apesar do bacano que assumes és chato, tens a mania e tens um feitio de merda. No entanto ou por isso mesmo gosto muito de ti. Gosto principalmente na pessoa que te tornaste para mim. No amigo que tens sido e nos conselhos e filosofias de vida que partilhamos. No fundo, tenho tido a sensação que apesar de todos os detalhes somos dos poucos que partilhamos alguma coisa menos superficial, menos sem conteúdo. Para além disso tudo, de gostar muito de ti e sermos muito amiguinhos e de todos os bla bla blas consequentes, admiro-te. Por duas coisas. Pela tua franqueza, que hoje em dia é raro encontrar alguem com lata para ser sincero, e por me teres surpreendido por seres uma pessoa tão grande ou lhe dares muito bem o jeito.
Um dia, daqui a pouco tempo vamos partir, eu, tu e a magalhães e possivelmente o emplastro do antónio com a ideia de encontrarmos as famosas pernas de frango, vista para a starbucks, fox a tarde toda, a broadway e a marc jacobs, urnas para o obama, negócios de atum, a nossa sala de jantar e setecentas coisas que (apesar de não me ter apetecido escrever para ti no inicio) tenho a certeza não querer partilhar com mais ninguém.

Quanto ao mini frigorifico mágico, é uma prova de benovolência pela tua pessoa. Até amanhã.

RIA

Ria, sorria e respire. Sorri e respira. Para a Hebe e para a Inês. Hoje não preciso de outros nomes. Não preciso de outros tempos nem de outros espaços. Hoje não tenho dúvidas que amanhã vou continuar sem precisar de nenhuma outra coisa. Em relação ás presenças, há dias em que fazem menos falta. mini mini, para quê, já sabem. Muito obrigada

Ao meu amor.

Até tem passado depressa. Os dias. Eu continuo aqui á tua espera. Tenho sido feliz. Sou boa nisso das felicidades ao contrário de ti. Quanto ao amor, tem-me batido á porta de vez em quando, quando tropeça no tapete da entrada. É claro que eu não abro, limito-me a espreitar e a esboçar-lhe um sorriso. Ás vezes quando estou de bom humor mando-o sentar-se na cadeirinha do hall e sirvo-lhe um café. Ele sabe que estou á tua espera por isso não faz muita questão para ficar. Um dia destes convido-o a entrar, a escolher o seu espaço, ponho-o á vontade e deixo de esperar por ti. Sabes que isto de esperar ás vezes cansa. Mas eu continuo aqui pelo menos enquanto escrever para ti. Queria dizer-te que hoje me lembrei da tua voz, lembrei-me do que me disseste da última vez que me viste. Que tenho saudades tuas. Queria dizer-te. Queria escrever-te.



Acho que me vou deixar disto. Gosto muito de ti, Rita