Comptine d'un autre été : L'aprés midi.
Contador de Histórias
Parte I
Buscapé Chagas deu um tiro no pé depois de se ter tentado suicidar na ala norte do hospital psiquiatrico de cacilhas. Vamos começar pelo principio. Buscapé Chagas chegou a Portugal em 1991 depois de um atribulado negócio de erva que virou falcatrua e o obrigou a fugir do Morro ( Morro do Jarubu, em Vitória, cidade natal de Buscapé) e a instalar-se em Lisboa mais concretamente no bairro Padre Cruz na Cova da Moura. Apresentou-se ao trabalho numa segunda feira, 3º dia do mês de Maio, 13 dias após ter chegado a Portugal.
"Meu nome é Buscapé Tuncunduvá Chagas, tenho 32 ano e chéguei a Portugau faiz ontem 12 dias. Quéria trabalhá como empreiteiro de Construção civiu, mais eu chegá prá quauqué coisa. Mamãe, dona Brigida Tuncuduvá - qui deus á tenha em paiz - sempri dissi prá mim, qui a gente si arranja como podji e tem meismo dji ser. "
Começou a trabalhar no mesmo dia. Por ser fim de tarde diria eu. O sr. Aguinaldo assinou os papéis sem olhar bem, com pressa de fechar o estaminé e ir a correr para os braços da sua mariazinha ou mais sinceramente para os braços do empadão de iscas que o esperava na mesa da cozinha, até imaginava o cheirinho a chegar ao seu nariz batatudo enquanto subia a calçada de santana direitinho a casa é claro que antes de entrar em casa teria de enxutar os gatos e resmungar com a vizinha de cima que tinha mandado as beatas para o pátio interior mas tudo isto não iria demorar mais de cinco minutos antes que o jantar arrefecesse.
Fosse como fosse naquele dia o empadão de iscas e de lingua de vaca fez então duas pessoas pessoas felizes, o sr. Aguinaldo e o Buscapé que apesar de imigrado ilegalmente tinha arranjado um emprego decente.
Viveu então quatro anos assim no seu quarto alugado na residencial da dona milú, em cima do café central e a dois quarteirões abaixo da casa da michele que lhe fazia uns favores de vez em quando.
Em Novembro 1995 Buscapé resolve voltar ao Morro. Pelo que se veio a constatar Adilson Chagas, filho mais velho de Buscapé e Detinha, ter-se-ia envolvido numa briga com a tropa de cabeleira. Qualquer coisa a ver com um negócio de uma clinica cubana. Ninguém sabe. Acho que meteu policia. Nessa noite Adilson Chagas foi encontrado morto à porta de casa. Ninguém sabe.
Buscapé Chagas deu um tiro no pé depois de se ter tentado suicidar na ala norte do hospital psiquiatrico de cacilhas. Vamos começar pelo principio. Buscapé Chagas chegou a Portugal em 1991 depois de um atribulado negócio de erva que virou falcatrua e o obrigou a fugir do Morro ( Morro do Jarubu, em Vitória, cidade natal de Buscapé) e a instalar-se em Lisboa mais concretamente no bairro Padre Cruz na Cova da Moura. Apresentou-se ao trabalho numa segunda feira, 3º dia do mês de Maio, 13 dias após ter chegado a Portugal.
"Meu nome é Buscapé Tuncunduvá Chagas, tenho 32 ano e chéguei a Portugau faiz ontem 12 dias. Quéria trabalhá como empreiteiro de Construção civiu, mais eu chegá prá quauqué coisa. Mamãe, dona Brigida Tuncuduvá - qui deus á tenha em paiz - sempri dissi prá mim, qui a gente si arranja como podji e tem meismo dji ser. "
Começou a trabalhar no mesmo dia. Por ser fim de tarde diria eu. O sr. Aguinaldo assinou os papéis sem olhar bem, com pressa de fechar o estaminé e ir a correr para os braços da sua mariazinha ou mais sinceramente para os braços do empadão de iscas que o esperava na mesa da cozinha, até imaginava o cheirinho a chegar ao seu nariz batatudo enquanto subia a calçada de santana direitinho a casa é claro que antes de entrar em casa teria de enxutar os gatos e resmungar com a vizinha de cima que tinha mandado as beatas para o pátio interior mas tudo isto não iria demorar mais de cinco minutos antes que o jantar arrefecesse.
Fosse como fosse naquele dia o empadão de iscas e de lingua de vaca fez então duas pessoas pessoas felizes, o sr. Aguinaldo e o Buscapé que apesar de imigrado ilegalmente tinha arranjado um emprego decente.
Viveu então quatro anos assim no seu quarto alugado na residencial da dona milú, em cima do café central e a dois quarteirões abaixo da casa da michele que lhe fazia uns favores de vez em quando.
Em Novembro 1995 Buscapé resolve voltar ao Morro. Pelo que se veio a constatar Adilson Chagas, filho mais velho de Buscapé e Detinha, ter-se-ia envolvido numa briga com a tropa de cabeleira. Qualquer coisa a ver com um negócio de uma clinica cubana. Ninguém sabe. Acho que meteu policia. Nessa noite Adilson Chagas foi encontrado morto à porta de casa. Ninguém sabe.
Tradução
Vamos fazer de conta. E faremos montes de música; montes e montes de música. Recriamos o riso. Acendes um cigarro e diremos os gestos que as palavras nunca conseguirão conceptuar. Adormeço nos teus ombros. E a música destoar-se-á num só tom. Um dia destes vamos fazer de conta.
Gigante
E pronto aí estás tu. Nunca vou conhecer alguém que se assemelhe á tua "gigantalidade". Por este aqui que já não é novo, há dias em que eu dava tudo para me esconder atrás de ti, como quando eramos pequenos eu gostava de fazer. Mas parece que já não vale a pena contar com isso. Tenho de ser igual a ti e deixar que se escondam nas minhas costas, mesmo que na maior parte das vezes me doam os pés. Agradeço por tudo o que me ensinaste, já estava na altura de seres tu a aprender comigo.
Pandora
Quem tem grandes padrinhos tem tudo. E quem não tem arranja blogues de gaja. Parece que se inventa solução para tudo, até para quem tem o rei na barriga ou a barriga de um rei. Enfiei o barrete.
( Irritas-me por me topares tão bem. Gosto mais de ti do que gosto de mim, acho que devias gostar disso, aliás eu sei que gostas; é mais uma das teorias da meia bolacha)
( Irritas-me por me topares tão bem. Gosto mais de ti do que gosto de mim, acho que devias gostar disso, aliás eu sei que gostas; é mais uma das teorias da meia bolacha)
Acto III
Hoje lembrei-me que antes costumava gostar de búzios. Não é que agora não goste deles. Os búzios não fazem sentido e eu gosto de coisas sem sentido. Eu acho que o meu problema é que os meus búzios já não me trazem o som ou o cheiro ou o sabor do mar. Hoje lembrei-me que antes costumava gostar de ti. Não é que já não goste. Tu não fazes sentido e eu gosto de coisas que não fazem sentido. O meu problema é que já não me trazes coisa nenhuma. Hoje lembrei-me de como costumava gostar de ti. Hoje esqueci-me de a que é que isso me sabia. Hoje percebi. E agora ficamos os três contentes. Eu, tu e os búzios.
Poema de António e Cleópatra
"Pelas tuas mãos medi o mundo
e na balança dos teus ombros
pesei o ouro do sol e a palidez da lua."
Sophia de Mello Breyner
Quando nós não temos palavras há sempre alguém que as tenha por nós, é como a história dos grilos e do silêncio.
e na balança dos teus ombros
pesei o ouro do sol e a palidez da lua."
Sophia de Mello Breyner
Quando nós não temos palavras há sempre alguém que as tenha por nós, é como a história dos grilos e do silêncio.
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